O barro como arte e resistência: Uma noite de cerâmica, cinema e fotografia em Cataguases

No dia 11, a cidade de Cataguases foi palco de uma celebração especial que uniu cinema, cerâmica e fotografia, destacando a arte popular e as tradições de Recreio. A programação do evento incluiu a exibição de dois episódios do documentário Crônicas do Tempo produzido e dirigido por Pedro Chaves , uma exposição de cerâmicas de artes locais e a mostra fotográfica “Nem o Verbo, nem o Caos. O Início Foi o Barro”, da artista Nevinha Werneck. O evento atraiu admiradores da arte e curiosos, destacando o legado e os desafios da tradição ceramista da região.


A exibição de Crônicas do Tempo foi o ponto alto da noite, apresentando a trajetória de Joaquim e Marlene, ceramistas de Recreio, que dedicaram suas vidas à preservação dessa forma de arte. O documentário, em quatro episódios, foca no início de seu estúdio de cerâmica, que hoje emprega diversas artes da cidade. Os dois episódios apresentados revelaram os detalhes do ofício e as dificuldades em manter viva a tradição, abordando questões que vão desde a falta de interesse da nova geração até as restrições legais que impedem o aprendizado prático nas oficinas de cerâmica.

A falta de continuidade entre as gerações foi um dos temas centrais da discussão levantada pelo documentário. Nos tempos de Joaquim, era comum que as crianças aprendessem o ofício nos escritórios de suas famílias, mas hoje, a legislação não permite essa prática. Além disso, muitos pais, mesmo sendo artesões, preferem que seus filhos sigam outros caminhos acadêmicos, pois, embora a profissão de ceramista seja gratificante, ela não oferece grandes recompensas financeiras. Isso cria um impasse para a perpetuação da arte ceramista, que requer habilidades técnicas, paciência e uma conexão com a matéria-prima, o barro.


Após a exibição do documentário, o público teve a oportunidade de conferir de perto as peças de cerâmica produzidas por Joaquim e outras artes de Recreio. A exposição evidenciou a beleza e a singularidade das obras, cada peça carregando em si a essência da terra e do trabalho manual. Apesar das dificuldades enfrentadas pelos ceramistas, o público poderia ver a força dessa arte e o orgulho de quem a pratica, um ofício que conecta passado e presente através das mãos habilidosas de seus criadores.

Complementando a noite, uma exposição fotográfica de Nevinha Werneck, intitulada “Nem o Verbo, nem o Caos. O Início Foi o Barro”, foi um dos destaques do evento. Suas fotografias capturaram o processo criativo dos ceramistas, o vínculo entre o artesão e o barro, e a força emocional que existe na prática dessa arte. Cada imagem retratava com sensibilidade as mãos que moldam o barro, enfatizando a importância do legado que esses artistas deixam para as futuras gerações, apesar dos desafios pela modernidade.

Últimas Matérias: